Red Bow Tie Desabafo: História de uma bailarina !

História de uma bailarina !

ATENÇÃO : Oie , estava vendo umas histórias de bailarinas hoje e encontrei várias , mas a que mais gostei vou postar aqui , é muito triste , então se voce se interessar se prepare !

'' Desde que resolvi ser uma "bailarina de verdade", percebi que teria que enfrentar um árduo caminho para ter a aparência certa, isto é , ter um corpo perfeito, isto é, ser magra, muito magra, bem magra. Pratiquei vôlei e ginástica olímpica durante muitos anos da adolescência e por isso tinha um corpo forte e atlético.

Não era gorda, apenas "gostosa", como ouvia sempre. Mas, com a decisão de sair de Juiz de Fora e ir para o Rio me dedicar a dança, a neurose das dietas começaram. Fiz todos os regimes que você possa imaginar. Dos mais loucos aos mais "saudáveis", como aqueles que envolviam uma outra filosofia de vida - a macrobiótica, por exemplo - a fim de obter o "corpo perfeito".

Quando cheguei em Londres, em janeiro de 1985, estava magérrima e cheia de vontade de "vencer". Após diversas audições, fui aceita para o curso que me tornaria uma "bailarina de verdade". Tudo estaria bem se, após 6 meses em Londres, eu não tivesse engordado 8 quilos. Isso punha em risco minha bolsa de estudos na London Studio Centre e também os exames para a Royal Academy of Dancing.

Recomecei a loucura das dietas. Ouvia falar de alguma e já ia fazendo. Porém, sabe-se lá por quais motivos, meu corpo se recusava a obedecer as ordens para perder peso. Das professoras e das companheiras de curso os textos eram sempre os mesmos: "Muito talentosa e dedicada. Olha como ela é flexível e 'en dehor'. Que 'expressão' quando dança. Porém, contudo, todavia, está tão gordinha, aliás, bem gorda. Deve dar para as aulas de contemporâneo e de flamenco". Meu grande sonho, a arte de dançar queria ficar para trás.

Eu adorava as aulas de contemporary e classical spanish, mas queria ser "uma bailarina de verdade", uma profissional da dança clássica. Meu treinamento mental e corporal era esse. Toda minha obsessão trabalhava nesse sentido.

O processo da bulimia chegou sem eu perceber. Em um processo de "emburrecimento", com tudo ficando menos esclarecido. De repente eu me vi em um canal tão maluco e alucinado que tinha certeza que só eu em todo o mundo estava passando por aquilo. Aliás, pensei que fosse eu que tivesse bolado o lance de vomitar. BINGO!!!! Tinha achado a fórmula mágica para poder comer, comer e comer e nunca mais engordar. Era fácil. Eu comia e ia ao banheiro. Enfiava a mão na garganta e vomitava. Tinha vezes que chegava a desmaiar. Só que não sabia que tinha desmaiado. Resultado: fraqueza, junto com uma depressão violenta e um corpo deformado tamanho o inchaço.

As regras eram simples: é PROIBIDO comer na frente das pessoas e é preciso mostrar desprezo por comida. Mesmo que sinta muita vontade, faça ar superior e diga que não entende porque todos querem que coma se não sente a mínima vontade. E o grande segredo e auto-punição para esse ar blasé é comer escondida bem sozinha no quarto do "hostel". Cardápio preferido: muito carboidrato. biscoitos maravilhosos, chocolate e muito cereal com leite. Depois - é lógico -, uma bela vomitada e tudo resolvido.

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Gradualmente fui piorando até que o dentista com quem eu trabalhava nos weekends teve a sacada do que me acontecia e me deu um livro chamado BULIMIA. Nunca tinha ouvido falar nesse treco.Que coisa doida é essa? Fui para casa as 9pm e só parei de ler quando acabei a última página, na manhã seguinte. Estava em frangalhos.
- MEU DEUS! Não sou só eu!!!!!

Foi aí que eu saquei que estava realmente DOENTE, SERIAMENTE DOENTE, e que poderia até morrer. Porém, entre saber e tomar uma providência aconteceu um longo processo de resistência, vergonha e revelação.

Comuniquei-me com um conhecido psicanalista aqui no Brasil, que me recomendou um colega bem famoso em Londres. E lá fui (no pounds, just myself). Quando o cara me viu, ele percebeu que era muito grave e como eu não tinha dinheiro para bancar a consulta dele e meu inglês já era legal, ele me mandou para uma inglesa, sua parceira, que teve interesse em "salvar a minha vida de bailarina de verdade".

A VIDA DE UMA BAILARINA NÃO É TÃO FÁCIL COMO PAREÇE !
 

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